©Jomaro Cabrela_Deusa da Paixão_2026
Deusa da paixão A cidade já acordou; as formigas atarefadas seguem o seu caminho. Reparo: entre os devotos do dever, segues no teu palco, e desenhas poesia com o teu corpo, envolta em paixão, a semear ilusões. Pareces ignorar tudo; não me vês, não sabes que existo. Mas sentes que te olhamos. És a estrela principal; ofereces-nos, sem saberes, uma beleza que não te pertence e que, ainda assim, é tua. Não estou a sonhar nem estou acordado; estou preso neste instante em que me recuso a partir e me devolve apenas o sonho — sonho, apenas sonho. ©Jomaro Cabrela | 2026