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A mostrar mensagens de julho, 2026

©Jomaro Cabrela_Deusa da Paixão_2026

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Deusa da paixão A cidade já acordou; as formigas atarefadas seguem o seu caminho. Reparo: entre os devotos do dever, segues no teu palco, e desenhas poesia com o teu corpo, envolta em paixão, a semear ilusões. Pareces ignorar tudo; não me vês, não sabes que existo. Mas sentes que te olhamos. És a estrela principal; ofereces-nos, sem saberes, uma beleza que não te pertence e que, ainda assim, é tua. Não estou a sonhar nem estou acordado; estou preso neste instante em que me recuso a partir e me devolve apenas o sonho — sonho, apenas sonho. ©Jomaro Cabrela | 2026

©Jomaro Cabrela_A Procissão_2026

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A Procissão   (Exame da 2.ª Classe) Acordei entre o aprendiz e arguido,   o coração num pulsar sem fim; vesti a roupa melhor, muito retraído,   e segui o caminho para o destino, assim;   levava um peso escuro e indefinido:   provar ao mundo o que não sei de mim. Tornei-me ainda mais pequeno então,   a escola erguia muros frios, altos;   o medo prendia-me as pernas ao chão,   e os passos eram tímidos e incautos;   soou a campainha — e, em suspensão,   calaram-se vozes, gestos e sobressaltos. Na escola do Amial crescia o receio,   em salas vastas, de silêncio frio;   cada passo ecoava, estranho e alheio,   e o medo em mim cavava um vazio;   abriu-se a porta — e num súbito anseio, entrámos todos num igual desvario. A escola em Ventuzelas, pobre abrigo,   mais palheiro tosco que lugar de estudar;   o chão cedia ao peso e ao passo antigo,   e o vento entrava sem se anunciar;   por baixo, o gado, em húmi...

©Jomaro Cabrela_Galeria de Água e Luz_2026

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Galeria de Água e Luz Nesta galeria imensa demorei-me. Tela pintada de verdes e azuis, salpicada de vermelho e branco. A montanha chorava na sua pressa, como o véu da noiva a caminho do altar. Neste monte branco de espuma que fumega, a água salta de pedra em pedra, sem pressa de chegar ao lago que a esperava. A natureza sustinha toda a cena na mão — apenas se consola com a obra feita. Uma orquestra tocava: água em queda quebrava o silêncio, acordes nos gritos felizes das crianças, o chilrear das aves no seu namorisco, ao fundo, sussurros de eterna conversa. Deliciava-me — só os meus olhos podiam ver — perfumes da natureza: o pólen da Primavera, o aroma do pão acabado de sair do forno. A vida apressada ficara suspensa. A pressa não fora convidada; todos esqueceram o peso que carregam, e as crianças, felizes, sonhavam. — Filipe, temos de ir. — Mãe. Congelei. Eras tu, a semear beleza e fantasias só minhas — porque não existo há tanto tempo. ©Jomaro Cabrela 2026  

©Jomaro Cabrela_O Costume da “Pinga”_2026.

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O Costume da “Pinga”   O sol hesitava, pensativo, em abandonar-nos. A cidade aguardava, distante, a poucos quilómetros da aldeia. Não importa o motivo que nos traz à casa de um vizinho; somos recebidos como só eles sabem receber — bem. Depois das saudações, o ritual: — «Quereis beber uma pinga?» O sim ou o não pouco vale — a pinga desliza sempre até nós, como se conhecesse o caminho. Alguns homens, à mesa, trocavam risos e palavras ligeiras, enquanto as mulheres,   à lareira, cozinhavam ao calor, o jantar. A garrafa, solitária, aterrava na mesa. A adega e a pipa não moravam longe. Cada um, por ordem, erguia o gargalo aos lábios. De mão em mão, a garrafa parecia mais leve, dançando entre eles, cúmplice. O anfitrião, satisfeito, fez questão de permanecer ao meu lado. Sem pedir licença, leu o meu rosto: o costume que eu, inadvertidamente, reprovava. — Desculpe… Com gesto rápido e tímido, no lenço branco, amarrotado, escondido no bolso, encontrou a solução silenciosa. Contrariado,...

O_meu_desassossego

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 Já terminei o meu primeiro livro de Poemas “O_meu_desassossego”. Site Online em formato digital para consultar e baixar https://jomaro34.github.io/Poesia/

©Jomaro Cabrela_Tribunal da Vida_2026

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  Tribunal da Vida Não temo ser no mundo julgado por crimes que jamais cometi; maior pecado é o que não vivi, por não seguir teu passo ao lado, nem por um só instante ousado, no tempo estéril que em dor perdi. Não temo a tua austera audiência, que em mim já pesa antiga pena; nunca foste porto nem serena luz que valesse na ausência; fria indiferença que se adensa, e me torna nesta alma pequena. Não temo ouvir a tua sentença; cumpri-la-ei sem vacilar, pois não há culpa a resgatar, na minha crença, que suspensa, ante a mudez da tua presença, não me deixa sequer respirar. Aceito o jugo e o castigo, qualquer que seja o teu querer; mas se ainda posso merecer um gesto breve de abrigo, em teus braços me faço mendigo, para em ti ver o sol renascer. Se procuras um culpado e o meu nome queres ditar, deixa-me em silêncio ficar; serei o réu já condenado, por crime nunca praticado, sem defesa e sem reclamar. ©Jomaro Cabrela | 2026

©Jomaro Cabrela_Sinfonia de Primavera 2026

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©Jomaro Cabrela_Velhinho_2026

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©Jomaro Cabrela_Retrato 2026

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©Jomaro Cabrela_Ódio_2026

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Proverbios_Ditados

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  Já terminei este projecto de “ Provérbios, Ditados e Expressões Populares” E m formato de livro para consultar e baixar https://jomaro34.github.io/Proverbios_Ditados/ Site Online https://jomaro34.github.io/Proverbios-Ditados/