A Procissão (Exame da 2.ª Classe) Acordei entre o aprendiz e arguido, o coração num pulsar sem fim; vesti a roupa melhor, muito retraído, e segui o caminho para o destino, assim; levava um peso escuro e indefinido: provar ao mundo o que não sei de mim. Tornei-me ainda mais pequeno então, a escola erguia muros frios, altos; o medo prendia-me as pernas ao chão, e os passos eram tímidos e incautos; soou a campainha — e, em suspensão, calaram-se vozes, gestos e sobressaltos. Na escola do Amial crescia o receio, em salas vastas, de silêncio frio; cada passo ecoava, estranho e alheio, e o medo em mim cavava um vazio; abriu-se a porta — e num súbito anseio, entrámos todos num igual desvario. A escola em Ventuzelas, pobre abrigo, mais palheiro tosco que lugar de estudar; o chão cedia ao peso e ao passo antigo, e o vento entrava sem se anunciar; por baixo, o gado, em húmi...
Comentários
Enviar um comentário