©Jomaro Cabrela_Só depois de morrer_2026


Só depois de morrer


Há muito que

não ouvia a palavra amor.

A solidão já era

a sua companheira habitual.

Já não distinguia o amigo

que ajudava

do amigo que a puxava para trás,

nem o beijo da amizade

do beijo de Judas.


E os pedaços de nós

que caminham fora de nós...

Será que a iriam procurar

porque já só se lembravam

daquilo que dela

poderiam receber?


Faltava pouco tempo

a última viagem

aproximava-se.


Finalmente,

iria receber flores

todas as semanas —

as flores

que nunca lhe ofereceram.


Infelizmente,

só o poderia confirmar

depois de morrer.


©Jomaro Cabrela | 2026

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