©Jomaro Cabrela_O Penoso Amanhecer_2026
O Penoso Amanhecer
Costumes Medievais
Vou dizê-lo devagarinho,
sem pressa de o dizer;
não há prazer neste caminho
ao tempo que me viu nascer.
Mostro apenas um pedacinho
desse penoso amanhecer,
suportado em silêncio e dor.
Nesta viagem pela minha infância
recordo costumes medievais:
fome, trabalho e ignorância,
vidas acorrentadas a antigos rituais;
trabalho infantil e arrogância,
mitos e medos sobrenaturais,
suportado em silêncio e dor.
O religioso era temor e sagrado,
os senhores, donos de tudo;
o pobre, resignado e amestrado,
trabalhava amargurado e mudo.
A justiça, instrumento usado
para oprimir o povo sisudo,
suportado em silêncio e dor.
Lugar para higiene não havia,
dormíamos por cima do gado;
o metano abafava e consumia,
sangue invisível por todo o lado.
Sem médico, sem literacia,
na miséria de um beco fechado,
suportado em silêncio e dor.
Cinfães, terra do norte de Portugal,
presa ao esquecimento e ao passado;
o filho de agora pôde, afinal,
escolher não viver escravizado.
E dói só ver ao longe o passado brutal,
onde ensinaram o mal e o errado,
suportado em silêncio e dor.
©Jomaro Cabrela | 2026
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