©Jomaro Cabrela_O Gatilho_2026
O Gatilho
Antes do gatilho,
houve a inércia, o silêncio, a ausência.
Antes do desejo, houve uma necessidade.
Antes da palavra,
houve um pensamento escondido.
Tudo desperta num instante,
num gesto quase invisível,
no germinar de uma semente
que em silêncio se deixou crescer.
É o gatilho.
A pequena chama
que acende a vontade,
que move a mão,
que abre uma porta,
que inicia uma viagem.
Nenhuma acção nasce sozinha.
Antes do passo, houve impulso;
antes da escolha, houve desejo;
antes da decisão, houve uma inquietação.
O corpo pede,
a mente procura,
a vontade insiste,
a necessidade chama.
E nesse momento escondido,
algo se solta.
É o gatilho.
Nas preocupações que atormentam,
nos sonhos que insistimos em perseguir,
nos desejos que nos vencem,
há sempre um primeiro instante,
uma centelha inicial.
Tudo tem um começo.
Mas talvez a origem
tenha despertado muito antes.
E, quase sempre,
quando tudo acontece,
já havia uma causa escondida,
à espera do gatilho.
©Jomaro Cabrela | 2026
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