©Jomaro Cabrela_Inventário dos Homens_2026


Inventário dos Homens

Uns anseiam o divino,
mas temem morrer.

Outros pretendem a riqueza,
mas nunca se dão por saciados.

Todos imploram por saúde,
mas são poucos os que a cultivam.

Muitos perdem-se na beleza
e mal cuidam da pouca que herdaram.

Há os que vivem para viajar,
eternos escravos desse desejo.

Há também os que vivem para ser:
os melhores, os primeiros,
os mais fortes, os mais talentosos,
os eruditos, os únicos.

Alguns já acreditam que o são;
outros, resignados,
sabem que nunca o serão.

Há ainda os pobres
que nasceram e morrerão na miséria;
os feios, que nunca serão belos;
os doentes que partem cedo demais;
e os que enfrentam a morte sem temor,
porque cresceram
e singraram entre as pedras da calçada.

Quando ela vier, que venha.

Restam os que aprenderam a habitar a própria pele.
Aqui estou: eu sou assim.

Que importa medir
o que não pode ser medido?

©Jomaro Cabrela | 2026

 

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