©Jomaro Cabrela_Ilustre Desconhecida_2026


 Ilustre Desconhecida

Povoas a minha imaginação.
Pensar-te já é pecado;
a tua beleza e sedução sufocam-me,
vives em cada canto dos meus sonhos.


Se te tivesse de dar um nome,
poderias ser Musa,
por seres a essência da minha inspiração;
ou Lilith,
mistério e rebeldia da primeira mulher;
ou Eva,
princípio de todas as coisas.


Talvez Maria,
pela pureza que o teu rosto inspira;
ou Lívia,
serenidade silenciosa
com que me despertas.


Poderias ser Diana,
caçadora dos meus pensamentos;
ou Letícia,
promessa de um sorriso por nascer.


E talvez fosses Aurora,
o primeiro clarão da manhã;
ou Clara,
luz tranquila que irradias;
ou Luna,
que me visitas nas minhas insónias,
envolta no mistério que me inquieta;
ou Estela,
a guiar, sem pressa, o meu desassossego.


Mas nenhum desses nomes
te pertence por inteiro.


Ficas sempre entre eles,
como se a linguagem não bastasse.


Vou simplesmente chamar-te Sofia,
porque só a sabedoria compreenderia
como alguém que nunca conheci
habita tão profundamente
a minha alma.


©Jomaro Cabrela | 2026

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