©Jomaro Cabrela_Futebol, Actores sem Máscara_2026


 Futebol, Actores sem Máscara


Num grande teatro chamado estádio, 

os actores despem os fatos do dia; 

num belo ensaio de teatro ao contrário, 

já ninguém disfarça a sua cobardia, 

deixam para trás toda a nostalgia.


Lado a lado, são todos iguais: 

a padeira ao lado da ginecologista

bandido e juiz em gestos e rituais, 

o sem instrução ao lado do cientista; 

neste momento, toda a gente é artista.


Não há religião que ali os separe, 

nem cor política ou ideologia, 

nem cargo ou estatuto que os compare, 

nem cor da pele, nem a geografia, 

unidos pelo nó da garganta e pela euforia.


Mulheres, homens e tantas crianças, 

nessa fragilidade que nos é igual, 

ali depositam as suas esperanças; 

no fulgor tremendo deste carnaval, 

apenas os divide o "eles" e o rival.


Entre o sucesso e o triste fracasso, 

entre a alegria e a desilusão, 

a linha que os separa é só o acaso; 

neste turbilhão de pura emoção, 

tudo se cala, apenas fala o coração.


Se perder, tudo fica adiado, 

à espera do próximo desafio; 

se ganhar, o momento é sagrado, 

vivido em perfeito e louco desvario, 

neste frenesim e tremendo arrepio.


Paixão do povo que não tem igual, 

despem-se as personagens do dia 

para, na batalha contra o rival, 

numa tremenda e sã picardia, 

celebrar a mais bela catarse e magia.


©Jomaro Cabrela | 2026

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