Retrete
(Anos 60 e 70)
Neste cubículo solitário,
onde sem vaidade todos vão,
cumpre-se o dever necessário,
que ninguém cumpre por opção.
Unidos no profano e no sagrado,
num acto simples e natural,
sem hora nem lugar marcado,
todos cumprem esse ritual.
Sem espaço reservado no lar,
lá fora, num tosco barraco improvisado,
mau cheiro e moscas não faziam hesitar,
ante a vontade, importa estar desocupado.
Faça chuva, frio ou sol,
a qualquer hora da noite ou do dia,
ao sair debaixo do lençol,
um jornal velho tinha serventia.
Quem pensa que pior não podia ser,
a história mostra outro legado:
havia lares que nem isso podiam ter,
era no monte ou na corte do gado.
©Jomaro Cabrela | 2026
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