©Jomaro Cabrela_Passos Desiguais_2026

 


Passos Desiguais


Quando ergui os olhos, já vivias na tua torre.

Olhava-te cá de baixo, sem saber como te alcançar.

Via a porta, mas não tive a coragem de entrar,

nem sabia como subir, nem qual o caminho até ti.


Tu, lá em cima, não reparavas em mim,

ou talvez não soubesses descer um pouco

e dizer-me como chegar junto de ti.

Quero acreditar que também não sabias.


Ficaste lá em cima e eu cá em baixo;

a distância até ao encontro era a mesma.

Nunca encontrámos esse misterioso caminho.

Ficaste no teu lugar e eu continuei no meu.


Serás o eco de uma infância perdida?

E eu, talvez, apenas um momento esquecido.

Somos apenas a memória de um desencontro

que nem o tempo nem o espaço conseguiram unir.


O tempo passou, mas a distância permaneceu.
E a vida tornou-se uma corrida.


Quando um vai mais depressa que o outro,

só há uma forma de seguirem juntos:

um tem de abrandar o passo,

o outro de se esforçar um pouco mais.


...mas ainda hoje não sei

qual de nós corria mais devagar

e qual julgava ir mais depressa.


©Jomaro Cabrela | 2026

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