©Jomaro Cabrela_A mulher da minha atalaia_2026


 A mulher da minha atalaia


Ver-te entre as ondas, no abraço da praia,

desafiando o sossego e a fúria do mar,

até a bravura das ondas se rendeu ao teu andar.

Segui-te do alto da minha atalaia,

neste meu silêncio matinal e no teu caminhar.


O mar tocava-te com pancadinhas de amor,

para não espantar tamanha beleza.

Componho uma tela com subtileza,

escondo os sentimentos com destemor,

no mundo que construí, nesta fortaleza.


O teu andar desenhava poesia,

a tua tranquilidade tornava-me inquieto;

o vestido e o cabelo, em diálogo secreto,

prendiam-me o olhar naquela maresia,

neste meu desassossego completo.


O lugar vazio que ficou sempre em mim,

a chaga que me tortura e que não tem cura,

ferida invisível que me atormenta nesta loucura,

que me não dá sossego e me vai inquietar até ao fim...

o teu silêncio aumenta a chama da minha amargura.


O lugar vazio que ficou sempre em mim,

a chaga que me tortura e que não tem cura,

ferida invisível que me atormenta nesta loucura,

que me não dá sossego e me vai inquietar até ao fim...

o teu silêncio aumenta a chama da minha amargura.


Uma bola perdida segue na tua direcção,

para interromper esta aguarela imaculada,

esta passarela divina em natureza plantada;

uma criança segue-a — «Mãe!» — olhas em aflição:

— Toma, Pedro, tem cuidado! — dizes, assustada.


— Acordei.


©Jomaro Cabrela | 2026

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