©Jomaro Cabrela_Galeria de Água e Luz_2026
Galeria de Água e Luz Nesta galeria imensa demorei-me. Tela pintada de verdes e azuis, salpicada de vermelho e branco. A montanha chorava na sua pressa, como o véu da noiva a caminho do altar. Neste monte branco de espuma que fumega, a água salta de pedra em pedra, sem pressa de chegar ao lago que a esperava. A natureza sustinha toda a cena na mão — apenas se consola com a obra feita. Uma orquestra tocava: água em queda quebrava o silêncio, acordes nos gritos felizes das crianças, o chilrear das aves no seu namorisco, ao fundo, sussurros de eterna conversa. Deliciava-me — só os meus olhos podiam ver — perfumes da natureza: o pólen da Primavera, o aroma do pão acabado de sair do forno. A vida apressada ficara suspensa. A pressa não fora convidada; todos esqueceram o peso que carregam, e as crianças, felizes, sonhavam. — Filipe, temos de ir. — Mãe. Congelei. Eras tu, a semear beleza e fantasias só minhas — porque não existo há tanto tempo. ©Jomaro Cabrela 2026

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